| A mediadora Thaís Naldoni, gerente de jornalismo de Imprensa, em painel com os jornalistas Felipe Machado, Ana Brambilla e Eliane Leme |
O jornalismo digital esteve em pauta no evento midia.Jor, em São Paulo, nos dias 12 e 13 deste mês. O encontro reuniu os profissionais mais gabaritados da área, entre eles Eliane Leme, diretora-executiva do Portal da Band.
Eliane participou do painel "Jornalismo digital: profissionais multifacetados, leitores participativos", que contou ainda com Ana Brambilla, mestre em Comunicação e Informação e editora de Mídias Sociais da Editora Globo, e com Felipe Machado, diretor de Mídias Digitais do Diário de São Paulo. Para abordar o assunto, ela usou como base uma pesquisa divulgada pela Oriella Pr Network Digital Journalism Study, que aponta que 53% dos jornalistas consultam o Twitter ou Facebook de fontes conhecidas regularmente.
Durante a conversa, Eliane disse que o mundo da rede social agora é um desafio enorme não só para os jornalistas, mas para qualquer pessoa que passe informação na internet. Para ela, caso uma fonte se esqueça e publique uma informação errônea ou politicamente incorreta, terá a obrigação de se explicar.
Eliane disse ainda que o site deve ter um padrão de qualidade, pois o público, além de ajudar com sugestões de pautas e outros conteúdos, irá cobrar qualquer informação que esteja errada. "A internet e a tecnologia mudaram tudo."
A jornalista contou que é necessário inovar, mudar a forma de conteúdo. Ela usou como exemplo o "Pânico na Band", exibido na Band, onde a equipe mostra os bastidores do programa usando apenas uma câmera de celular. "É uma forma simples, barata, e um tipo de cobertura eficiente que o público tem aprovado", ressalta Eliane.
No mesmo painel, Ana Brambilla falou sobre a relação entre profissionais e leitores. Ela ressaltou que o jornalista deve conversar com os usuários, mas que a rede social reflete tanto na imagem pessoal quanto na profissional. "Temos que prestar atenção, pois ali na rede social estará o nosso nome e eu continuarei sendo uma jornalista mesmo opinando sobre algo sem usar o ponto de vista de jornalista".
Fábio Machado reforçou a importância da atualização profissional. Ele disse que aquele que não aprender a usar as novas ferramentas das mídias sociais vai ficar ultrapassado. "O profissional tem hoje uma necessidade e obrigação maior de entender a tecnologia", completa.
Internet ou impresso?
Estudantes e profissionais também questionaram o fim do jornal impresso, em debate realizado com a participação de Fernanda Santos, do "The New York Times", Lourival Sant'Anna, de "O Estado de S.Paulo" e Carlos Eduardo Lins da Silva, do Projor.
A jornalista Fernanda Santos, primeira e, até hoje, única repórter brasileira no "New York Times", afirmou que a internet não é vilã do jornal impresso. De acordo com ela, as redes sociais, por exemplo, são uma evolução. "Minha filha hoje tem três anos, mas quando estiver com 20 pode ser que não exista mais as matérias feitas no papel. Mas que o impresso vai acabar, acredito que sim".
Lourival Sant'Anna disse que o primeiro passo para os veículos de comunicação progredirem é tentar não concorrer com a internet. "O impresso sempre vai perder. Ele nunca vai ser a internet", finaliza.
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